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Alimentos orgânicos são melhores para o meio ambiente

Alimentos orgânicos são melhores para o meio ambiente

Como tudo na ciência, é difícil se chegar a um consenso sobre os alimentos orgânicos em relação aos cultivados de forma tradicional. Enquanto uma das maiores dúvidas é se os orgânicos são mais saudáveis e nutritivos, existem grandes indícios de que eles são melhores para o nosso planeta. De forma geral, é possível entender que o debate vai muitíssimo além de questões meramente nutricionais.

Em 2016, a revista Nature Plants publicou um estudo mostrando que, além da produtividade e da qualidade nutricional, a agricultura orgânica apresenta desempenho bastante superior nos quesitos qualidade do solo, otimização energética, biodiversidade, redução da poluição hídrica, lucratividade, redução de custos, promoção de serviços ecossistêmicos, geração de emprego, redução de riscos ocupacionais decorrentes do uso de pesticidas e, é claro, redução do uso de pesticidas.

Agroecologia

O relatório da ONU “Special Rapporteur on the right to food”, publicado todos os anos, indica desde 2017 que a adoção de práticas agroecológicas deve ser definida como estratégia a ser utilizada por produtores rurais e gestores públicos em nível global. 

A agricultura orgânica, nesse sentido, pode ajudar como método agroecológico. De acordo com a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional do Brasil - CAISAN, alimentos de base agroecológica são substâncias de origem vegetal ou animal oriundas de sistemas que promovem o uso sustentável dos recursos naturais, produzem alimentos livres de contaminantes, protegem a biodiversidade, contribuem para a desconcentração das terras produtivas e para a criação de trabalho e que, ao mesmo tempo, respeitam e aperfeiçoam saberes e formas de produção tradicionais.

Para ser considerado orgânico, o produto tem que ser produzido em um ambiente com princípios agroecológicos que contemplam o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais. 

Não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente. Não são utilizados fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos. O Brasil, em função de possuir diferentes tipos de solo e clima, uma biodiversidade incrível aliada a uma grande diversidade cultural, é, sem dúvida, um dos países com maior potencial para o crescimento da produção orgânica.

Nutrição

Na defesa dos alimentos orgânicos, muitos partem direto para os benefícios da nutrição, mas a verdade é que, segundo estudos britânicos e americanos, não há grande diferença quanto ao valor nutricional entre orgânicos e convencionais. Mas algumas pesquisas sugerem que alimentos orgânicos podem conter maior quantidade de metabólitos secundários.

Segundo relatório encomendado pelo Parlamento Europeu, divulgado em 2016, "o leite orgânico, e provavelmente também a carne, trazem maiores quantidades de ômega 3 e ácidos graxos quando comparados a produtos convencionais".

No caso do leite orgânico, também os teores de vitamina E são maiores. De acordo com a publicação, "há indicações segundo as quais os alimentos orgânicos têm menor teor de cádmio do que os convencionais".

Resumindo, existem indícios de que os macronutrientes podem ser diferentes nos alimentos orgânicos, mas de maneira geral, o benefício é quase o mesmo ao se alimentar de frutas e verduras produzidas de forma convencional. 

Impacto ambiental

A tendência entre nutricionistas é pensar na alimentação saudável de forma sistêmica. Além dos nutrientes, é preciso analisar o uso de pesticidas e também entender as dimensões ambientais, sociais e culturais dos agro-ecossistemas onde nosso alimento é cultivado.

Especialista em agricultura, genética e melhoramento de plantas, o cientista cubano Humberto Ríos entende que devemos repensar o modelo de produção agrícola brasileiro a fim de diminuir o uso de agrotóxico nas lavouras.

Segundo ele, as mudanças climáticas e o uso de agrotóxicos estão diretamente relacionados, mas o que justifica essa relação é a prática do monocultivo e não necessariamente a configuração de clima tropical. 

“Todo o sistema alimentar está concebido para transportar a mercadoria de um lugar ao outro do mundo. Acredito que a solução esteja em modelos mais localizados, que tributem a economias locais”, explica.

É verdade que a agricultura orgânica demanda maiores áreas de plantio, mas isto não é indicador de sustentabilidade. As práticas agroecológicas e a rotação de culturas podem de fato recuperar áreas já degradadas pela agricultura convencional.

Fonte:
 

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