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Conheça a cooperada que ingressou na Academia de Letras de Rio Grande

Conheça a cooperada que ingressou na Academia de Letras de Rio Grande

A cooperada Deise Soares assumiu, no dia 17 de junho, a cadeira de número 35 da Academia Rio-Grandina de Letras (ARL). Além de ser escriturária no Banrisul, ela é poetisa e escritora. A cadeira 35 tem como patrona a jornalista, escritora e educadora porto-alegrense Revocata Heloísa de Mello. Deise lançou seu primeiro livro solo no ano passado, intitulado Poetizando.

Conversamos com a escritora e poetisa sobre sua trajetória. Confira:

Blog Conexão – De que forma você iniciou a carreira de escritora e poetisa?

Deise Soares - É complexo dizer quando realmente comecei. Se em termos profissionais foi em 2005. Mas minha carreira tem uma história de vida inteira. Meu primeiro poema foi escrito em 1980, aos 13 anos, numa aula de português. Daí em diante, não parei mais. Mas meu gosto por histórias e seus desdobramentos vem desde sempre. Quando pequena, confeccionava bonecos de papel e usava-os para fazer uma espécie de teatrinho, onde eu mesma criava a história.

O tempo foi passando. Na adolescência produzi muito, poesias e contos. A vida foi passando e a oportunidade de ser escritora profissional surgiu pela primeira vez quando participei de um concurso literário do Reciclar. O ano de 2005 foi o início de tudo. Vieram muitas premiações e a primeira oportunidade de participar de uma coletânea com mais 10 autores gaúchos. Isso foi em 2007 e a coletânea se chama Escritos. Ano passado veio a grande realização: meu livro solo Poetizando, com o selo da Editora Chiado, de Lisboa. Este livro é comercializado em todos os países de língua portuguesa.

Blog Conexão - Como é conciliar isso com a profissão de escriturária no Banrisul?

Deise Soares - Tem um ditado que diz: Quem corre por gosto não se cansa. É bem isso! Tem que saber administrar, pois sou do banco e estou nele, preciso cumprir com meus deveres e me dedicar e procuro fazer isso com muito gosto. Escrevo a qualquer momento. Compor poesias para mim é como uma inspiração relâmpago. Eu vejo a primeira frase e o resto flui em questão de segundos. Eu componho poesias em 1, 2 minutos. Posso fazer isso no meu intervalo, no fim do dia, a qualquer hora. Isso vem da alma. Já os contos componho à noite com meus fones de ouvido, ouvindo uma bela trilha sonora. E quando surge uma oportunidade de feiras e eventos, procuro colocar em data e horários compatíveis com meu trabalho. Também conto com o carinho dos colegas e administração da casa que nunca se recusou em me liberar, quando preciso.
Agora mesmo, surgiu a mais significativa oportunidade da minha carreira literária: terei sessão de autógrafos na 24ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo, dia 29/08 às 16h, no estande da Editora Chiado.

Blog Conexão – Como você se sentiu sendo nomeada para fazer parte da ARL?

Deise Soares - A vida é feita de causas e consequências. A ARL se tornou um sonho e, agora, uma realidade. O convite já havia sido ventilado antes, por ocasião de Escritos, mas se tornou concreto agora, com Poetizando. Foi uma satisfação enorme ter sido convidada. Comecei a participar de reuniões e eventos da ARL desde outubro de 2015, pois são necessárias várias etapas para o ingresso na academia. Primeiro há o convite. Se eu aceitar o convite, a pessoa que me amadrinhou, no meu caso a professora Nilza Rita Lourenço da Fontoura, irá apresentar meu nome à academia, onde ela preparará uma defesa, justificando minha apresentação. Após essa defesa, há uma votação, onde serei aceita ou não. No meu caso, fui aceita. Após a aceitação, tenho que participar de cinco reuniões consecutivas e sem faltar. Passados todos esses passos, tornei-me apta à posse. A partir desse momento, é marcada a data e eleita uma comissão de apoio. Minha nomeação foi uma noite mágica, uma festa maravilhosa.

Ocupo vitaliciamente a cadeira 35, cuja patrona é Revocata Heloísa de Melo, da qual quero fazer um pequeno histórico: Revocata nasceu em Porto Alegre em 31/12/1860. Aos oito anos, perdeu a mãe e veio com o pai e os dois irmãos mais novos morar em Rio Grande. Desde os 18 anos, Revocata tornou-se jornalista, escritora, oradora e teatróloga. Era envolvida em causas abolicionistas e republicanas. Tanto era que proferia palestras e, com o dinheiro da venda dos ingressos, comprava alforria aos escravos. Em 1895 fundou o jornal O Corymbo, jornal rio-grandino com circulação quinzenal o qual durou por 54 anos, até a morte de Revocata. Ela também foi membro do Partenón Literário, maior agremiação literária do Sul do Brasil naquela época. Sinto-me orgulhosa de ocupar a cadeira desta mulher corajosa, tão à frente de seu tempo e exemplo de fibra e coragem.


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