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Máquinas tiram empregos, mas podem gerar trabalhos mais humanos

Máquinas tiram empregos, mas podem gerar trabalhos mais humanos

Enquanto revoluções tecnológicas do passado usavam a tecnologia como complemento ao trabalho humano, a que acontece atualmente trata da completa substituição do homem pelas máquinas em grande parte dos cargos existentes. A mudança, no entanto, abre caminho para que a sociedade trabalhe com competências mais humanas.

“Se um robô pode fazer uma tarefa, ele vai fazer. E fará melhor, mais rápido e com maior desempenho do que o homem”, afirmou Guilherme Thiago de Souza, gerente de engenharia e desenvolvimento da empresa Roboris do Brasil.

Essa mudança, segundo o engenheiro, acaba com uma série de empregos, mas faz com que as empresas comecem a procurar profissionais que tenham bem desenvolvidas áreas de raciocínio, faculdades cognitivas e colaboração. A tendência é que as pessoas deixem de realizar atividades mecânicas e se dediquem às que exigem habilidades que máquinas não têm, como criatividade e empatia.

O papel do Estado

É teoricamente simples a ideia de que as escolas precisarão formar outros tipos de profissionais, já que o modelo tradicional em breve se tornará obsoleto. Ocorre que essa mudança estrutural num país do tamanho do Brasil exige comprometimento nas reformas de ensino e alcance do estado nas áreas mais pobres e periféricas, onde há jovens interessados em aprender, mas não há recursos.

Para Fabro Steibel, diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no caso do Brasil, uma iniciativa essencial para o desenvolvimento da educação ainda é investir em infraestrutura tecnológica nas escolas públicas.

“Esquecemos que metade dos colégios públicos brasileiros não tem internet e a outra metade só tem o suficiente para o diretor conseguir mandar e-mail. Precisamos nos mirar no exemplo da Estônia, que unificou digitalmente suas escolas em 1998 e hoje alcança resultados expressivos em educação”, declarou Steibel.

Para ele, não é difícil oferecer melhores condições de desenvolvimento e aprendizado para a população mais pobre do país. Bastaria o poder público oferecer infraestrutura e tecnologia para lugares onde já há uma mobilização popular forte e colaborativa e alta capacidade de utilização de recursos, como na favela da Rocinha, segundo o executivo. “O problema é que o Estado chega a esses lugares muito mais tarde do que aos outros”, afirmou.

Para quem já está no mercado

O adulto já inserido no mercado de trabalho pode achar que não será afetado por essas mudanças e que sua carreira está a salvo, mas esse pode não ser o caso. Nossa expectativa de vida está cada vez maior e a maior parte da população brasileira precisará trabalhar por mais tempo do que havia imaginado, então é bom não correr riscos.

Não se trata de viver em pânico, mas de estar sempre buscando novas qualificações e se aventurar em outras áreas, ainda que apenas na teoria, para não ser pego de surpresa. O profissional do futuro será, acima de tudo, curioso.

Fonte:
Folha de São Paulo

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